Resenha Espírita
Brasília/DF - Brasil

Última atualização: 15/03/2017
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Autoconhecimento
A coisa mais difícil para o homem é o conhecimento próprio. Provérbio Árabe (1)

Autoconhecimento

O Culto Cristão no Lar



Buscar o autoconhecimento é fundamental para a evolução espiritual.

Ele consiste no “conhecimento de si mesmo, das próprias características, sentimentos, inclinações” (2). No aspecto moral, é a capacidade de identificar as próprias virtudes e defeitos, de acordo com o código moral/religioso adotado pela pessoa.

Segundo o Espiritismo, os espíritos são criados simples e ignorantes por Deus, com aptidões iguais e programados para buscarem o mais alto nível de evolução intelectual e moral. Eles progridem gradualmente à custa das experiências que vão obtendo, tratando com os problemas que encontram no mundo espiritual e no mundo físico.

Como uma consequência natural da sua evolução moral/intelectual, o espírito, em determinado momento da sua existência, começa a perceber que é único, distinto dos demais espíritos. Aparece a noção de individualidade. A partir desse instante, as leis divinas, divididas didaticamente em leis físicas que regulam o mundo físico e leis morais que regem a vida do corpo e da alma, vão liberando-o progressivamente dos automatismos naturais e transferindo para ele a responsabilidade pela condução do seu processo de desenvolvimento e aperfeiçoamento moral e intelectual.

Com a individualidade, surge também o livre-arbítrio. O espírito passa a ter a liberdade de proceder como desejar. Inicialmente, as leis de Deus limitam essa liberdade. Posteriormente, à medida que ele evolui, a liberdade vai aumentando.

Quando o espírito, usando o seu livre arbítrio, toma decisões que seguem as leis morais, ele vai progressivamente se elevando moralmente e fazendo jus a ter existências mais felizes. Quando desrespeita as leis, ele deixa de evoluir o que causa sofrimento e infelicidade. Esse estado transitório dura até o momento em que o espírito resolve harmonizar as suas decisões e os seus atos com as Leis Divinas.

O Espiritismo ensina regras de conduta para as pessoas que tem interesse em evoluir. Resumidamente, as regras são as seguintes (3): a pessoa deve ser boa, benevolente, pensar mais nos outros do que em si mesmo e fazer todo o bem que estiver dentro das suas possibilidades. Além disso, ela deve ter como meta diária procurar ser um pouco melhor moralmente do que foi no dia anterior.

Sendo obrigado a responder pelas próprias ações perante as Leis Divinas e a adquirir virtudes, o espírito precisa aprender a se conhecer melhor para ter mais sabedoria nas decisões que toma. O autoconhecimento passa a ser cada vez mais importante, porque traz à tona as nossas virtudes e defeitos.

Para os que sentem a necessidade de conhecer a si mesmo, a Doutrina Espírita ensina o método de autoaperfeiçoamento, que o espírito de Santo Agostinho seguia, quando reencarnado séculos atrás, nos primeiros tempos do Cristianismo. Diariamente, de preferência à noite, devemos fazer um balanço das ações realizadas durante o dia (4). Devemos verificar se desrespeitamos os direitos naturais do próximo e as razões pelas quais fizemos isso; se conscientemente desperdiçamos oportunidades de fazer o bem e porque tivemos tal procedimento; se os nossos atos nos aproximaram dos padrões estabelecidos para o comportamento de um homem de bem. O exercício auxilia o praticante a identificar defeitos e a criar métodos para corrigi-los, contribuindo para o autoconhecimento e o autoaperfeiçoamento.

O Espiritismo ensina que o autoconhecimento é fundamental para o nosso aperfeiçoamento espiritual. A doutrina orienta também como deve ser feito o exercício diário de avaliação das nossas ações, de modo a que possamos identificar os comportamentos que devem ser corrigidos. Além disso, o espírita, estudando a doutrina, toma conhecimento do depoimento dos espíritos desencarnados relacionando a sua situação feliz ou infeliz ao bem ou ao mal que fez quando estava encarnado. As boas comunicações espirituais encorajam o espírita a se conhecer, julgar e corrigir o que está errado e mudar de procedimento.

Da Redação
(1) (http://pensador.uol.com.br/ditos_populares/4/, 14/03/2017)
(2) Dicionário Houaiss
(3) O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVII, item 3
(4) O Livro dos Espíritos, perg. 919, Conhecimento de si mesmo

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O Culto Cristão no Lar
Jesus no Lar, Neio Lúcio, psic. Chico Xavier, FEB

O Autoconhecimento

O Culto Cristão no Lar


«Jesus sorriu e perguntou, de novo:»

Povoara-se o firmamento de estrelas, dentro da noite prateada de luar, quando o Senhor, instalado provisoriamente em casa de Pedro, tomou os Sagrados Escritos...

.. e, como se quisesse imprimir novo rumo à conversação que se fizera improdutiva e menos edificante, falou com bondade:

— Simão, que faz o pescador quando se dirige para o mercado com os frutos de cada dia?

O apóstolo pensou alguns momentos e respondeu, hesitante:

— Mestre, naturalmente, escolhemos os peixes melhores. Ninguém compra os resíduos da pesca.

Jesus sorriu e perguntou, de novo: — E o oleiro? que faz para atender à tarefa a que se propõe?

— Certamente, Senhor — redargüiu o pescador, intrigado —, modela o barro, imprimindo-lhe a forma que deseja.

O Amigo Celeste, de olhar compassivo e fulgurante, insistiu:

— E como procede o carpinteiro para alcançar o trabalho que pretende?

O interlocutor, muito simples, informou sem vacilar:

— Lavrará a madeira, usará a enxó e o serrote, o martelo e o formão. De outro modo, não aperfeiçoará a peça bruta.

Calou-se Jesus, por alguns instantes, e aduziu:

— Assim, também, é o lar diante do mundo. O berço doméstico é a primeira escola e o primeiro templo da alma. A casa do homem é a legítima exportadora de caracteres para a vida comum. Se o negociante seleciona a mercadoria, se o marceneiro não consegue fazer um barco sem afeiçoar a madeira aos seus propósitos, como esperar uma comunidade segura e tranqüila sem que o lar se aperfeiçoe? A paz do mundo começa sob as telhas a que nos acolhemos. Se não aprendemos a viver em paz, entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das nações?

Se nos não habituamos a amar o irmão pais próximo, associado à nossa luta de cada dia, como respeitar o Eterno Pai que nos parece distante?

Jesus relanceou o olhar pela sala modesta, fez pequeno intervalo e continuou:

— Pedro, acendamos aqui, em torno de quantos nos procuram a assistência fraterna, uma claridade nova. A mesa de tua casa é o lar de teu pão. Nela, recebes do Senhor o alimento para cada dia. Por que não instalar, ao redor dela, a sementeira da felicidade e da paz na conversação e no pensamento? O Pai, que nos dá o trigo para o celeiro, através do solo, envia-nos a luz através do Céu. Se a claridade é a expansão dos raios que a constituem, a fartura começa no grão. Em razão disso, o Evangelho não foi iniciado sobre a multidão, mas, sim, no singelo domicílio dos pastores e dos animais.

Simão Pedro fitou no Mestre os olhos humildes e lúcidos e, como não encontrasse palavras adequadas para explicar-se, murmurou, tímido:

— Mestre, seja feito como desejas.

Então Jesus, convidando os familiares do apóstolo à palestra edificante e à meditação elevada, desenrolou os escritos da sabedoria e abriu, na Terra, o primeiro culto cristão no lar.

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