Resenha Espírita

Edição: Novembro/2007
Última atualização: 22/novembro/2007
Matérias

Quantos Filhos Teremos?
Celso Martins

Quantos Filhos Teremos?

Encontro de Natal

Bilhete a Jesus

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Já andei escrevendo em livros editados pela EME e pela DPL, e creio que vendidos em todo o Brasil, baseando-me na experiência pessoal, depois de 40 anos de magistério, junto a adolescentes desde março de 1960. Todavia , porque assistisse no sábado 4 de agosto de 2007, na TV-Educativa do Rio de Janeiro à excelente entrevista do Ministro da Saúde Dr. José Gomes Temporão, concedida ao jornalista Roberto d'Avila, sobre o mesmo tema, e ainda, dias depois, pela TV-Senado aos vibrantes pronunciamentos feitos por duas senadoras do Partido dos Trabalhadores sobre a polêmica introdução do abortamento induzido na legislação brasileira, mediante plebiscito, ressaltando-se desde já consulta popular sobre a matéria dos direitos naturais do homem claramente não permitida pela atual Constituição, em seu Art. 60 parágrafo 4º, inciso IV, resolvi pelos jornais voltar ao mesmo assunto do momento, a meu juízo implicando até a nossa soberania como Nação. Como não bastasse o malfadado abastardamento do nosso riquíssimo idioma, com tantos anglicismos como shows, e-mails, home pages, shoppings...

Primeiro devo dizer que por controle da natalidade entendo como sendo a indébita intervenção do Estado na delicada questão do número de filhos que um casal deve ter, no contexto das medidas preconizadas pela Eugenia (purificação da raça) e pela Demografia (maior ou menor quantidade de habitantes duma Nação).

Repito ser delicada porque, como corajosamente denunciaram as senadoras do alto de um plenário (para meu desespero quase vazio) do Senado Federal, as nações ricas (o famoso grupo dos Oito), para não verem diminuídas em cota mínima as imensas facilidades em que vivem suas classes abastadas, em cima da miséria dos bolsões dos miseráveis que sobrevivem só sabe Deus como nos inúmeros países subdesenvolvidos, dentre eles ainda o nosso Brasil, estas nações do Primeiro Mundo chegam a fazer, eis a dura realidade, com as vistas grossas dos dirigentes nacionais desses países pobres, a esterilização em massa de mulheres em idade fértil, genocídio este praticado por organizações ditas religiosas (sic!)

Em segundo lugar, repito, como já expliquei em vários livros, não sei se lidos por quem agora me leia, pois jamais escrevi romances de valor discutível, embora muito vendáveis, porém elaborei mais de sete dezenas de compêndios sérios, sobre temas graves com dados oficiais e num linguajar quase coloquial, para fazer-me entendido por todos por planejamento familiar entendo o estudo que marido e mulher devem fazer acerca de quantos filhos deverão trazer ao mundo, levando-se em conta as possibilidades financeiras do casal, e mesmo de saúde, sobretudo da mulher... A criança deve vir a nossos braços para ser amada, educada, querida, e não em decorrência de um impulso biológico, instinto, a bem dizer animalesco sem controle ético-moral...

Termino dando razão ao Dr. José Gomes Temporão quando o Ministro da Saúde traz à baila a terrível tragédia de um sem-número de menores grávidas que buscam assistência médico-hospitalar nos órgãos de saúde do Governo, após a frustrada tentativa de abortamento em casa ou por ação desastrada de curiosas fazedeiras de anjos. E com ele concordo nisto o problema só será de todo resolvido com a devida educação do povo brasileiro, para o que é necessário apenas decisão política e nada mais...

Cartas Cx. Postal 61003 V. Militar Rio de Janeiro RJ 21615-970.

Celso Martins nasceu no Rio de Janeiro em 1942. É escritor e jornalista espírita conhecido em todo o país. Autor e co-autor em dezenas de livros publicados no Brasil e no exterior. Além de artigos veiculados por diversos periódicos.

É professor de Biologia e de Física, atualmente aposentado, e licenciado em História Natural e Pedagogia. Esperantista desde 1956, atuou no campo das artes como poeta, sonetista, trovador e contista.

Dedica-se à difusão do Espiritismo na tribuna, na Rádio Rio de Janeiro e pela TV Bandeirantes. Vem colaborando com a Resenha Espírita desde os primeiros tempos.

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Encontro de Natal
Meimei, Antologia Mediúnica do Natal, Diversos Autores, psic. Chico Xavier, FEB

Quantos Filhos Teremos?

Encontro de Natal

Bilhete a Jesus



Recolhes as melodias do Natal, guardando o pensamento engrinaldado pela ternura de harmoniosa canção...

Percebes que o Céu te chama a partilhar os júbilos da exaltação do Senhor nas sombras do mundo.

Entretanto, misturada ao regozijo que te acalenta a esperança, carregas a névoa sutil de recôndita angústia, como se trouxesses no peito um canteiro de rosas orvalhado de lágrimas!...

É que retratas no espelho da própria emoção o infortúnio de tantos outros companheiros que foram inutilmente convidados para a consagração da alegria. Levantaste no lar a árvore da ventura doméstica, de cujos galhos pendem os frutos do carinho perfeito; entretanto, não longe, cambaleiam seguidores de Jesus, suspirando por leve proteção que os resguarde contra o frio da noite; banqueteias-te, sob guirlandas festivas, mas, a poucos passos da própria casa, mães e crianças desprotegidas, aguardando o socorro do Cristo, enlanguescem de fadiga e necessidade; repetes hinos comovedores, tocados pela serena beleza que dimana dos astros; no entanto, nas vizinhanças, cooperadores humildes do Mestre choram cansados de penúria e aflição; abraças os entes queridos, desfrutando excessos de reconforto; contudo, à pequena distância, esmorecem amigos de Jesus, implorando quem lhes dê a bênção de uma prece e o consolo de uma palavra afetuosa, nas grades dos manicômios ou no leito dos hospitais...

Sim, quando refletes na glória da Manjedoura, sentes, em verdade, a presença do Cristo no coração!

Louva as doações divinas que te felicitam a existência, mas não te esqueças de que o Natal é o Céu que se reparte com a Terra, através do eterno amor que se derramou das estrelas.

Agradece o dom inefável da paz que volta, de novo, enriquecendo-te a vida, mas divide a própria felicidade, realizando, em nome do Senhor, a alegria de alguém!...

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Bilhete a Jesus
Irmão X, Antologia Mediúnica do Natal, Diversos Autores, psic. Chico Xavier, FEB

Quantos Filhos Teremos?

Encontro de Natal

Bilhete a Jesus



Senhor Jesus, enquanto a alegria do Natal acende luzes novas nos lares festivos, torno à velha Palestina, revendo, com os olhos da imaginação, a paisagem de tua vinda...

Roma estendia fronteiras no Nilo, no Eufrates, no Reno, no Tâmisa, no Danúbio, no Mar Morto, no Lago de Genezaré, nas areias do Saara. César "sossegava e protegia" os habitantes das zonas mais remotas, aliciando a simpatia dos príncipes regionais. Todos os deuses indígenas cediam a Júpiter, o dono do Olimpo, de que as águias dominadoras se faziam emissárias, tremulando no topo das galeras, cheias de senhores e escravos.

Lembras-te, Senhor, de que se fazia uma grande estatística, por ordem de Augusto, o Divino? Otávio, cercado de assessores inteligentes, intensificava a centralização no mundo romano, reorganizando a administração na esfera dos serviços públicos. As circunscrições censitárias na Judéia enchiam-se de funcionários exigentes. Cadastravam-se famílias, propriedades, indústrias. E José e Maria se locomoveram, com os demais, para atender as determinações. A sensibilidade israelita poderia manter-se à distância do culto de César, resistindo ao incenso com que se marcava a passagem dos triunfadores, em púrpura sanguinolenta, mas a experiência judaica, estruturada em suor e lágrimas, não se esquivaria à obediência, perante os regulamentos políticos. As estalagens, no entanto, estavam repletas e não conseguiram lugar.

Em razão disso, a estrela gloriosa, que te assinalou a chegada, não brilhou sobre templos ou residências de relevo. Apenas a manjedoura singela ofereceu-te conforto e guarida. Homens e mulheres faziam estatísticas minuciosas de haveres e interesses. Se o governo imperial decretava o recenseamento para reajustar observações e tributos, os governados da província alinhavam medidas, imprimindo modificações aos quadros da vida comum, para se subtraírem, de alguma sorte, às exigências. Permutavam-se cabras e camelos, terras e casas, reduzidos parques agrícolas e pequenas indústrias. Haveria espaço mental para a meditação nas profecias? para cumprir o dever religioso, não bastava comparecer ao templo de Jerusalém, nos dias solenes, oferecer os sacrifícios prescritos e prosternar-se ante a oferenda sagrada, ao ressoar das trombetas? Razoável, portanto, examinar os melhores recursos e burlar as requisições do romano dominador. A fração do povo eleito, que se aglomerava na cidade de David, lia os textos sagrados, recitava salmos e tomava apressado conselho aos livros da sabedoria; entretanto, não considerava pecado matar o tempo em disputas e conversações infindáveis ou enganar o próximo com a elegância possível.

A sensibilidade israelita poderia manter-se à distância do culto de César, resistindo ao incenso com que se marcava a passagem dos triunfadores (...)

Por essa razão, Senhor, quem gastaria alguns minutos para advogar proteção a Maria e José? Eles traziam a sinceridade dos que andam contigo, falavam de visitas de anjos, de vozes do céu, e o mundo palestinense estava absorvido no apego fanático aos bens imediatos. Comentavam-se, apaixonadamente, as listas e informações alusivas a rebanhos e fazendas. Às narrações do sonho de José ou da experiência de Zacarias, prefeririam noticiário referente à produção de farinha ou ao rendimento de pomares...

Todavia, para entregar à Humanidade a divina mensagem de que te fizeste o Depositário Fiel, não te feriste ao choque da indiferença. Começaste, assim mesmo, na manjedoura humilde, o apostolado de bênçãos eternas. O Evangelho iniciou a primeira página viva da revelação nova na estrebaria singela. A Natureza foi o primeiro marco de tua batalha multissecular da luz contra as trevas.

E enquanto prossegues, conquistando, palmo a palmo, o espírito do mundo, os homens continuam fazendo estatísticas inumeráveis...

Aos censos de Otávio, seguiram-se os de Tibério, aos de Tibério sucederam-se arrolamentos de outros dominadores. Depois do poderio romano fragmentado, outras organizações autoritárias apareceram não menos tirânicas. Dilataram-se os serviços censitários, em toda a parte.

As nações modernas não fazem outra coisa além da extensão do poder, melhorando a estatística que lhe diz respeito.

Inventariavam-se, na antiga Judéia, ovelhas e jumentos, camelos e bois. Hoje, porém, Jesus, o arrolamento é muito mais importante. Com o aperfeiçoamento da guerra, o censo é vital nas decisões administrativas. Antes da carnificina, arregimentam-se estatísticas de canhões, tanques e navios, aviões, metralhadoras e fuzis. Enumeram-se homens por cabeça, no serviço preparatório dos massacres e, em seguida, anotam-se feridos e mutilados. Isso, nas vanguardas do sangue, porque, na retaguarda, o inventário dos grandes e pequenos negócios é talvez mais ativo. Há corridas de armamentos e bancos, valorização e desvalorização de bens móveis e imóveis, câmbio claro e câmbio escuro, concorrência leal e desleal, mercado honesto e clandestino, tudo de acordo com as estatísticas prévias que autorizam providências administrativas e regem o mecanismo da troca.

Para entregar à Humanidade a divina mensagem de que te fizeste o Depositário Fiel, não te feriste ao choque da indiferença. (...)

Nós sabemos que não condenas o ato de contar. Aconselhaste-nos nesse sentido, recomendando que ninguém deve abalançar-se a qualquer construção, antes de contas rigorosas, a fim de que a obra não permaneça inacabada. Entretanto, estamos entediados de tanto recenseamento para a morte, porque, em verdade, nunca esteve a casa dos homens tão rica e tão pobre, tão faiscante de esplendores e tão mergulhada nas trevas, tão venturosa e tão infeliz, como agora.

Desejávamos, Mestre, arrolar as edificações da fé, os serviços de esperança, os valores da caridade; contudo, somos ainda muito poucos no setor de interesse pelos sonhos reveladores e pelas vozes do céu. Apesar disso, sabemos que os homens, fanatizados pela estatística das formas perecíveis, examinam os gráficos, de olhos preocupados, mas erguem corações ao alto, amargurados e tristes, movimentam-se entre tabelas e números, mas torturados pela sede de infinito...

Quem sabe, Senhor, poderias voltar, consolidando a tua glória, como fizeste há quase vinte séculos?! Entretanto, não nos atrevemos ao convite direto. As estalagens do mundo estão ainda repletas de gente negociando bens transitórios e melhorando o inventário das posses exteriores. Os governos estão empenhados em orçamentos e tributos. Os crentes pousam olhos apressados em teu Evangelho de Redenção e repetem fórmulas verbais, como os judeus de outro tempo, que mastigavam a Lei sem digeri-la. Quase certo que não encontrarias lugar, entre as criaturas. E não desejamos que regresses, de novo, para nascer num estábulo, trabalhar à beira das águas, ministrar a revelação em casas e barcas de empréstimo e morrer flagelado na cruz. Trabalharemos para que a tua glória brilhe entre os homens, para que a tua luz se faça nas consciências, porque, em verdade, Senhor, que adiantaria o teu retorno se a estatística das coisas santas não oferece a menor garantia de vitória próxima? como insistir pela tua volta pessoal e direta se na esfera dos homens ainda não existe lugar onde possas nascer, trabalhar e morrer?

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