Resenha Espírita
Brasília/DF - Brasil
Edição: Março/2009
Última atualização: 1º/agosto/2009
Joanna de Ângelis

Ante a Violência
Jesus e Vida, psicografia de Divaldo Franco, Ed. Leal

À semelhança de uma bola de neve, mais se agiganta o movimento desencadeado pela violência

A violência é uma enfermidade social que se transforma em pandemia, devorando vidas e arrastando multidões ao desespero.

Herança antropológica, permanece em forma de mecanismo de autodefesa, infelizmente agredindo antes mesmo de qualquer ocorrência que ameace a integridade do indivíduo.

Fatores outros contribuem para o desastre emocional da violência, que a desencadeiam em forma de revolta e de ansiedade agressiva.

Dentre eles destacam-se a injustiça social que grassa perversa, a indiferença dos poderosos em relação aos menos aquinhoados, os preconceitos raciais e econômicos, principalmente em relação aos afro-descendentes, aos jovens e aos mais pobres...

Ante os descalabros de alguns governantes e dos membros das Casas Legislativas, que tudo realizam a benefício próprio e dos seus partidos, bem como dos seus apaniguados, as populações menos atendidas são empurradas para níveis vergonhosos de miséria, tombando, inevitavelmente, na revolta, na agressividade.

Sentindo-se espoliadas, tomam aquilo que deveriam receber como retribuição pelos direitos que lhes são concedidos pelas leis que regem as nações.

Certamente, a violência é, também, problema de cada espírito, devendo, portanto, ser cuidada na sua raiz.

Manifesta-se em todos os segmentos da sociedade, nos diferentes níveis de cultura, nas artes, nas ciências, nas religiões...

Nada obstante, é entre as pessoas discriminadas e denominadas como excluídas, que se apresenta mais cruel e tresvariada.

Como resultado de fuga, o desvario procura apoio nas drogas que mais vitimam os seus usuários, retirando-lhes o discernimento e açulando-lhes os sentimentos morbosos.

Irrompe, então, a violência, como incêndio furioso que a tudo destrói em sua voragem insaciável.

Por outro lado, a infância desprotegida, atirada às ruas do abandono, à mercê do vício e da criminalidade, sem nenhum apoio, descamba nos seus escoadouros, agredindo e roubando, consumindo álcool e substâncias destrutivas, logo se tornando vítima das circunstâncias, para sucumbir nos cárceres infectos e hediondos ou morrer nas vielas sombrias das execuções...

O morbo da violência é de tal natureza virulento que contagia facilmente as pessoas mais frágeis, que diante de qualquer ocorrência desagradável reagem, distantes da razão e da lucidez que devem orientar as atitudes humanas em qualquer situação.

Nas classes média e alta, outros fatores geram um tipo especial de violência decorrente do estresse, da ansiedade, da amargura, do tédio resultante do excesso ou da sucessiva repetição de prazeres desgastantes.

Os seus lares são transformados em núcleos de encontros casuais entre pais e filhos, sendo os primeiros fornecedores de recursos para atender as paixões e caprichos dos segundos, não se amando reciprocamente, antes suportando-se como cargas inevitáveis que devem ser carregadas até o momento da libertação.

... E a violência golpeia o indivíduo, a sociedade, a vida.

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Os índices de óbitos resultantes da violência, nos países do Terceiro Mundo, atingem níveis inacreditáveis, em alguns deles constituindo-se o segundo maior responsável.

Toda a carga de tragédia resultante da violencia prossegue na família das vítimas, qu eficam desprotegidas, além das dores proporcionadas pela desencarnação de alguns de seus membros. Viuvez, orfandade, angústia são os frutos desditosos da sua ocorrência, ao lado da impossibilidade que os assinala, de serem recuperados de alguns dos muitos prejuízos que passam a sofrer, pala falta de recursos financeiros para serem tomadas as providências próprias junto aos órgãos governamentais.

Os familiares dos desencarnados pela violência transformam-se em pessoas invisíveis, porque esquecidas e desdenhadas, continuando a viver nos meios sórdidos de onde procedem, sem esperança de melhora na existência, mais afundando-se no abismo da delinqüência...

Ignorar esses infortúnios, constitui delito grave na consciência social, abrindo brechas para mais desaires nos gurpos humanos.

Pode-se somar a todos os fatores que desencadeiam a violência de qualquer tipo, a interferência das mentes desencarnadas que enxameiam nas convulsões da sociedade, nos indivíduos como nos grupos.

Vitimados, procuram, em sua loucura, realizar o desforço, utilizando-se dos recursos que lhes são peculiares, aumentando a carga de ódio contra os seus algozes, que se tornam mais infelizes.

Transitando entre o desespero e a revolta no Além, esses desencarnados em aflição não conseguem afastar-se do procênio terrestre, tornando-se mais celerados e sandeus.

Em conseqüência, a psicosfera do planeta mais se envenena com as emanações morbíficas derivadas do ódio, contaminando lamentavelmente todos aqueles que se encontram em processos de insegurança emocional e mental, levando-os a transtornos afligentes.

À semelhança de uma bola de neve, mais se agiganta o movimento desencadeado pela violência, arrastando todos quantos se encontram fragilizados e incapazes de lutar contra as tendências destrutivas.

Urgem medidas de prevenção e de socorro educativo para a construção de uma sociedade menos agressiva, seja por parte das autoridades, seja por iniciativa privada.

Somente pela educação das gerações novas será possível reverter-se o quadro atual, gerando-se meios de dignificação humana, a fim de que todos os indivíduos tenham possibilidades de vivenciar a sua cidadania, facultando-se-lhes meios próprios para a renovação moral e a edificação interior voltada para o dever, para o bem pessoal e geral.

Da mesna forma como os meios degradantes geram a violência, os recursos prósperos e edificantes fomentam a paz.

Uma educação, portanto, para a paz, consegue modificar os fatores criminosos desencadeadores da agressividade e da violência.

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No ensinamento terapêutico de Jesus a respeito do amor, encontram-se os mecanismos poderosos para o enfrentamento entre a guerra e a paz, o ódio e a fraternidade.

Quando não seja possível amar, em face das circunstâncias, pode-se experimentar o sentimento de comnpaixão, facultando-se a experiência do perdão e da caridade.

Ante a vigência desses sublimes recursos que se encontram ao alcance de todos, a consciência do dever assomará os indivíduos, e os povos como os governos compreenderão a urgente necessidade da paz, trabalhando-a no mundo íntimo e produzindo-a nos relacionamentos externos.

Somente então a violência desaparecerá da Terra, por falta de combustível para mantê-la vigorosa.

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