Resenha Espírita
Brasília/DF - Brasil
Edição: Agosto/2009
Última atualização: 28/janeiro/2010
Matérias

Não Era Piada, Não
Celso Martins

Não Era Piada, Não

Migalhas

Comunicações Espirituais no Brasil Colônia Final


...a vida me ensinou, e eu aprendi com amargura,
que às vezes uma piada retrata uma dolorosa realidade.

Tendo lecionado desde março de 60 até junho de 99, em geral para alunos adultos de cursos noturnos, que vinham do exaustivo trabalho no comércio da Cidade do Rio de Janeiro, para que as turmas não dormissem durante as aulas tinha na manga do colete uma pletora de piadas, decentes, é claro. Todavia, a vida me ensinou, e eu aprendi com amargura, que às vezes uma piada retrata uma dolorosa realidade. Dar-lhe-ei um só exemplo, dentre muitos colhidos ao longo das minhas anárquicas leituras.

Foi em 1985. Li num jornal esperantista que se edita na Bélgica esta anedota. Numa passagem de nível em dada cidade européia um trem atropela mortalmente um cidadão. Fez-se aquele tumulto que você pode imaginar: bombeiros, ambulância, polícia, curiosos, jornalistas. Um moço se aproxima de uma senhora mãe de família e pergunta: - O que aconteceu? Resposta da matrona: - Não foi nada grave, não. Apenas morreu um negro distraído!

Não é esta espécie de humor negro de que me valia nas salas de aula. Li o gracejo e não achei graça nenhuma. Como não acho graça ao ver na TV referências jocosas sobre pessoas portadoras de deficiências físicas ou mentais.

No mesmo ano de 85 uma ex-aluna procura junto a mim uma vaga para que sua filha, fora da época, ingressasse na escola onde a genitora estudou. Tendo com facilidade obtido uma vaga diante de uma desistência, resolvo numa tarde destes verões abrasadores do Rio de Janeiro (capital) ir à casa da jovem levando-lhe o requerimento de inscrição e dela pegando xerox dos documentos para a matrícula, tudo isto no bairro suburbano de Mal. Hermes.

Nas imediações da residência da ex-aluna eis que vejo uma aglomeração. Bombeiros, ambulância, polícia, curiosos, jornalistas. Aproximo-me de uma senhora mãe de família e pergunto (sem me vir à memória a leitura anterior): "- O que aconteceu?" E sinto uma navalha cortar-me o coração diante da resposta: "- Nada grave, não! Deram um tiro certeiro na testa deste marginal. Era um traficante. Bem feito! Não sei porque não aconteceu isto antes!"

Saí dali chorando por dentro. E se o tal marginal fosse um dos seus filhos? Ou de seus irmãos? Ou mesmo o seu pai? A resposta seria a mesma? Estou certo que não. Novamente se evidencia a praga do egoísmo!

Sei que o tráfico de entorpecentes é assunto multifatorial, inclusive o torpe interesse comercial em desviar a atenção dos jovens pobres dos magnos problemas crônicos da perversa distribuição de terra e rendas no mundo. Mas atendo-me ao estado caótico em que se encontra a constelação familiar. Volto-me para Kardec e consulto O Livro dos Espíritos, como sempre faço. E leio que os pais ( e por extensão a sociedade como um grande todo) têm uma importantíssima tarefa na formação moral dos jovens e das crianças. Consultemos a q. 208. E os espíritas agem bem há anos nas escolas de evangelização infantojuvenil. É assim que se constrói um mundo mais feliz! Que me diz você, hein?

Celso Martins (Cx. P. 61003 Rio de Janeiro RJ Cep 21615-970)

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Migalhas
Bezerra, Espíritos Diversos, psic. Chico Xavier, Instituto de Difusão Espírita, 1989

Não Era Piada, Não

Migalhas

Comunicações Espirituais no Brasil Colônia Final


O Excelso Amigo espera por nós no caminho de nossos próprios irmãos

Não olvides nosso dever de cooperação com o Senhor!

Ninguém te pede o impossível, entretanto é justo nasçam em tuas mãos, cada dia, as migalhas de amor com que o mundo se elevará, do vale da sombra aos cimos da elevação.

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Lembra-te de viver a nobre prerrogativa de tua fé.

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Faze algo.

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O Mestre não exige te convertas no refúgio de todas as crianças do mundo, mas espera que teus braços se disponham a recolher, por instantes embora, algumas dessas pobres aves humanas, sem ninho que as reconforte.

Não te reclama a cura indiscriminada de todos os enfermos da senda, no entanto, solicita do teu esforço, um caldo para o faminto, ou uma palavra de bom-ânimo para o agonizante desamparado.

Não te roga assistência para todos os escravos da prova e do sofrimento que vagueiam na Terra, no entanto, aguarda de ti, um leve olhar de consolo e esperança, em favor do companheiro infortunado que precisa erguer-se e avançar.

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Uma esmola de tolerância...

Uma prece...

Uma gota de bálsamo...

Uma referência fraterna...

Uma flor de carinho...

Um sorriso...

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Quem será tão pobre no mundo, que nada possa dar, quando o verme é um benfeitor da terra, que produz a excelência do pão?

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Detém-te, sim, na antevisão do porvir e sonda-lhe a grandeza, mas não olvides o presente, que nos cabe medir com os próprios passos!

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Demora-te na contemplação das estrelas e extasia-te perante a magnitude do Universo, no entanto, não te esqueças de acender a vela humilde, ao redor de ti mesmo, para que as trevas não te senhoreiem o chão.

O oceano é uma coleção imensa de gotas dágua, e o Reino do Senhor será o conjunto das migalhas do amor que lhe possamos oferecer!

Não te faças tardio na compreensão, para que a tua felicidade brilhe mais cedo.

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O Excelso Amigo espera por nós no caminho de nossos próprios irmãos.

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Traze ao Benfeitor Celestial as sementes de tua vontade e, algo fazendo na tarefa renovadora, estejamos convencido de que Jesus fará o resto.


Orientação Mediúnica

Para desenvolver – aprender.
Para aprender – trabalhar.
Para trabalhar – confiar.
Para confiar – servir.
Para servir – esperar.
Para esperar – compreender.
Para compreender – auxiliar.
Para auxiliar – renunciar.
Para renunciar – sacrificar-se.
Para sacrificar-se – esquecer-se.
Para esquecer-se – iluminar-se.
Para iluminar-se - amar com Jesus, hoje e sempre.

Natanael

Servidores no Além
Espíritos Diversos, psic. Chico Xavier, Instituto de Difusão Espírita, 1989


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Comunicações Espirituais no Brasil Colônia Final
Irmão X, Luz no Lar, psic. Chico Xavier, Ed. FEB

Não Era Piada, Não

Migalhas

Comunicações Espirituais no Brasil Colônia Final


...E nós respigamos alguns tópicos do álbum repleto de fotos, que descansava na penteadeira de Dona Silvéria Lima, ao lermos enternecidamente a história do filho, que ela própria escrevera.

1941 - Outubro, 16 - Meu filho nasceu, no dia 12. Sinto-me outra. Que alegria! Como explicar o mistério da maternidade? Meu Deus, meu Deus! ... Estou transformada, jubilosa! ...

Outubro, 18 - Meu filho recebeu o nome de Maurício. Aos seis dias de nascido, parece um tesouro do Céu em meus braços! ...

Outubro, 20 - Recomendei a Jorge trazer hoje um berço de vime, delicado e maior. O menino é belo demais para dormir no leito de madeira que lhe arranjamos. Coisa estranha!... Jorge, desde que se casou comigo, nada reclamou. .. Agora, admite que exagero. Considerou que devemos pensar nas crianças menos felizes. Apontou casos de meninos que dormem no esgoto, mas, que temos nós com meninos de esgoto? Caridade!... Caridade é cada um assumir o desempenho das próprias obrigações. Meu marido está ficando sovina. Isso é o que é ...

1942 - Novembro, 11 - Mauricinho adoeceu. Sinto-me enlouquecer ... Já recorri a seis médicos.

1943 - Dezembro, 15 - O pediatra aconselhou-me deixar a amamentação e mandou que Mauricinho largue a chupeta. Repetiu instruções, anunciou, solene, que a educação da criança deve começar tão cedo quanto possível. Essa é boa! Eu sou mãe de Mauricinho e Mauricinho é meu filho. Que tem o médico de se intrometer? Amamento meu filho e dou-lhe a chupeta, enquanto ele a quiser.

1944 - Março, 13 - Mauricinho, intranquilo, arranhou, de leve, o rosto da ama com as unhas. Brincadeira de criança, bobagem. Jorge, porém, agastou-se comigo por não repreendê-Io. Tentou explicar- me a reencarnação. Assegurou que a criança é um Espírito que já viveu em outras existências, quase sempre tomando novo corpo para se redimir de culpas anteriores, e repisou que os pais são responsáveis pela orientação dos filhos, diante de Deus, porque os filhos (palavras do coitado do Jorge) são companheiros de vidas passadas que regressam até nós, aguardando corrigenda e renovação ... Deu-me vontade de rir na cara dele. Antes do casamento, Jorge já andava enrolado com espíritas . Reencarnação! . .. Quem acredita nisso? Balela... Chega um momento de nervosismo, a criança chora, e será justo espancá-Ia, simplesmente por essa razão?

1946 - Março, 15 - Jorge admoestou-me com austeridade. Parecia meu avô, querendo puxar-me as orelhas. Declarou que não estou agindo bem. Acusou-me. Tratou-me como se eu fôsse irresponsável. Tem-se a impressão de que é inimigo do próprio filho. Queixou-se de mim, alegou que estou deixando Maurício crescer como um pequeno monstro (que palavra horrível!), tão só porque o menino, ontem, despejou querosene no cão do vizinho e ateou fogo ... Era um cachorro intratável e imundo. Certamente que não estou satisfeita por haver Maurício procedido assim, mas sou mãe... Meu filho é um anjo e não fêz isso conscientemente. Talvez julgasse que o fogo conseguisse acabar com a sujeira do cão.

1948 - Abril, 9 - Crises de Maurício. Quebrou vidraças e pratos, esperneou na birra e atirou um copo de vidro nos olhos da cozinheira, que ficou levemente machucada, seguindo para o hospital ... Jorge queria castigar o menino. Não deixei. Discutimos. Chorei muito. Estou muito infeliz.

1950 - Setembro, 5 - A professora de Maurício veio lastimar-se. Moça neurastênica. Inventou faltas e mais faltas para incriminar o pobre garoto. Informou que não pode mantê-Io, por mais tempo, junto dos alunos. Mulher atrevida! Pintou meu filho como se fôsse o diabo. Ensinei a ela que a porta da rua é serventia da casa. Deixa estar! Ela também será mãe. .. Que bata nos filhos dela! ...

1952 - Maio, 16 - Maurício já foi expulso de três colégios. Perseguido pela má sorte o meu inocentinho! ... Jorge afirma-se cansado, desiludido ... Já falou até mesmo num internato de correção. Meu Deus, será que meu filho somente encontre amor e refúgio comigo? Tão meigo, tão bom! ... Prefiro desquitar-me a permitir que Jorge execute qualquer idéia de punição que, aliás, não consigo compreender. .. Meu filho será um homem sem complexos, independente, sem restrições... Quero Maurício feliz, feliz! ...

1956 - Meu marido quer empregar nosso filho numa casa de móveis. Loucura! ... Acredita que Mauricinho precisa trabalhar sob disciplina. Que plano!. .. Meu filho com patrão ... Era o que faltava! . .. Temos o suficiente para garantir-lhe sossego e liberdade.

1957 - Janeiro, 14 - Jorge está doente. O médico pediu para que lhe evitemos dissabores ou choques. Participou-me, discreto, que meu marido tem o coração fatigado, hipertensão. Desde o ano passado, Jorge tem estado triste, acabrunhado com as calúnias que começam a aparecer contra o nosso filhinho. Amigos-ursos fantasiaram que Maurício, em vez de frequentar o colégio, vive nas ruas, com vagabundos. Chegaram ao desplante de asseverar que meu filho foi visto furtando e, ainda mais ... Falaram que ele usa maconha em casas suspeitas. Pobre filho meu!... Sendo filho único, Maurício necessita de ambiente para estudar, e se vem, alta madrugada, para dormir, é porque precisa do auxílio dos colegas, nas várias residências em que se reúnem com os livros.

1958 - Outubro, 6 - Jorge ficou irado, porque exigi dele a compra de um carro para Maurício, como presente de aniversário. Brigou, xingou, mas cedeu ...

1959 - Junho, 15 - Estou desesperada. Jorge foi sepultado ontem. Morreu apaixonado, diante da violência do delegado policial que intimou Mauricinho a provar que não estava vendendo maconha. Amanhã, enviarei um advogado ao Distrito. Se preciso, processarei o chefe truculento ... Ninguém arruinará o nome de meu filho, que é um santo ... Oh! meu Deus, como sofrem as mães! ...

1960 - Agosto, 2 - Duas mulheres me procuraram, com a intenção de arrancar-me dinheiro. Disseram que meu filho lhes surripiou jóias. Velhacas e mandrionas. Maurício jamais desceria a semelhante baixeza. Dou-lhe mesada farta. Expulsei as chantagistas e, se voltarem, conhecerão as necessárias providências.

1961 - Fevereiro, 22 - Nunca pensei que o nosso velho amigo Noel chegasse a isso! ... Culpar meu filho! Sempre a mesma arenga... Maurício na maconha. Maurício no furto! Agora é um dos mais antigos companheiros de meu esposo que vem denunciar meu filho como incurso num suposto crime de estelionato, comunicando-me, numa farsa bem tramada, que Maurício lhe falsificou a letra num cheque, roubando-lhe trezentos contos. .. Tudo perseguição e mentira. Já ouvi dizer que Noel anda caduco. Usurário caminhando para o hospício. Essa é que é a verdade. .. Sou mãe! .. ' Não permitirei que meu filho sofra; nunca admiti que alguém levantasse a voz contra ele. .. Maurício nasceu livre, é livre, faz o que entende e não é escravo de ninguém. Estou revoltada, revoltada! ...

Nesse ponto, terminavam as confidências de Dona Silvéria, cujo corpo estava ali, inerte e ensanguentado, diante de nós, os amigos desencarnados, que fôramos chamados a prestar-lhe assistência. Acabara de ser assassinada pelo próprio filho, obsidiado e sequioso de herança.

Enquanto selecionávamos as últimas notas do álbum singular, Maurício, em saleta contígua, telefonava para a Polícia, depois de haver armado hàbilmente a tese do suicídio.

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