Resenha Espírita
Brasília/DF - Brasil
Edição: Agosto/2009
Última atualização: 28/janeiro/2010
Entrevista

Entrevista concedida por Vitor Ronaldo Costa


3. Existe um número médio de sessões de desobsessão para liberar uma pessoa de um processo obsessivo? Se a equipe de tratamento não estiver conseguindo resultado, o que isso poderia indicar?

De igual modo ao que sucede com o paciente clínico, o enfermo espiritual também pode carecer de revisões periódicas, desde que o caso se mostre complicado e com tendência à cronificação. Em obsessão espiritual, lidamos com inteligências desencarnadas, às vezes, enceguecidas por ódios seculares, revoltadas, vingativas e, aparentemente, refratárias ao exercício do perdão. Portanto, não se trata de eliminar uma bactéria, mediante o emprego de antibiótico potente, pois, aqui no caso, os agentes agressivos são seres dotados de vontade e inteligência próprias, a requererem procedimentos terapêuticos especiais, alicerçados no amor e na dialética persuasiva. Não olvidar a imperiosa mobilização de muita paciência e perseverança para demover, aos poucos, as idéias de revide acalentadas por obsessores cristalizados no ódio. Em nossa longa experiência no capítulo da desobsessão espírita, testemunhamos expressivo número de casos que responderam bem ao tratamento inicial, outros requereram revisões mais circunstanciadas, todavia, um restrito número não evoluiu totalmente para a cura, não obstante o doente e os familiares acusarem melhoras significativas. Em relação a este último contingente, diríamos o seguinte. Na eventualidade de uma doença espiritual não ceder, apesar dos esforços envidados pelo grupo mediúnico, é preciso certo grau de sensibilidade de nossa parte para entender que a justiça divina, em inúmeras circunstâncias, utiliza-se de meios educativos que nos fogem ao alcance. A própria bibliografia doutrinária relata situações, nas quais, certa cota de sofrimento prolongado corresponde ao medicamento mais apropriado ao portador de um coração obstinado e desprovido do interesse em se empenhar na própria renovação moral. Nesses casos, só o tempo, na condição de agente corretivo cósmico, recolocará as coisas em seus devidos lugares, pois o bem e a harmonia são metas a serem alcançadas invariavelmente por todos os humanos, em futuro não muito distante.

4. Após o tratamento desobsessivo, que medidas o paciente deve tomar para se restabelecer, evitando recaídas?

Em se tratando de enfermidade moral, decorrente da ação tormentosa de espíritos perturbadores e vingativos, temos de convir que os meios profiláticos e terapêuticos requeiram procedimentos alicerçados na ética evangélica. É lógico que o medicamento químico ou homeopático, quando prescrito por profissional habilitado, serve para reverter os desgastes psíquicos e orgânicos decorrentes da ação fluídica perniciosa, por tempo prolongado. Todavia, além das medidas clínicas, levamos em conta o esforço pessoal no sentido de se recompor o senso de maturidade moral dos que tentam se reabilitar perante a suprema Lei. Sabemos o quanto é difícil convencer o leigo da existência de enfermidades morais decorrentes de atitudes equivocadas perante os semelhantes. Contudo, o Espiritismo esclarece: o mal praticado com o objetivo de prejudicar alguém permanece vibrando em nossa memória espiritual, de modo a facilitar as ligações desarmônicas de ordem obsessivas. Entretanto, a misericórdia divina nos permite intervir nos casos graves e tratar, por meio das diretrizes doutrinárias, os enfermos enredados nas teias da obsessão. O bom senso sugere o cultivo incessante de medidas simples, porém eficazes, por exemplo: manter elevado o padrão vibratório da mente através de preces e melhor vigilância do comportamento; fugir da ociosidade cumprindo com desvelo o trabalho honesto de cada dia; desempenhar-se com dignidade de propósitos nas atividades costumeiras; respeitar os semelhantes da forma como gostaria de ser respeitado; e esmerar-se, por fim, na prática das pequenas virtudes, tudo com a finalidade de facilitar ao indivíduo a ligação mental com os espíritos superiores, de modo a guarnecer as defesas espirituais e minimizar as recaídas.


Vitor Ronaldo Costa nasceu em Natal (RN). Casado, é pai de quatro filhos e avô de vários netos. Formou-se em medicina e exerceu a clínica médica homeopática em Porto Alegre (RS) e em Brasília (DF), onde fixou residência e se aposentou da profissão.

Desenvolve múltiplas atividades no campo da divulgação espírita. É autor de várias obras doutrinárias, palestrante reconhecido e colaborador de inúmeros periódicos espíritas. Atua há cerca de trinta anos em reuniões mediúnicas desobsessivas praticadas em hospitais espíritas, participa de voluntariado assistencial e desenvolve pesquisas nos vastos campos da mediunidade e da obsessão espiritual, procurando conciliar os propósitos da medicina clássica com os aspectos científicos do Espiritismo.

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