Resenha Espírita
Brasília/DF - Brasil
Edição: Dezembro/2009
Última atualização: 29/janeiro/2010
Matérias

Os Dois Senhores
Celso Martins

Os Dois Senhores

Os Animais Ante o Natal

Sesquicentenário do 2º Volume da Revista Espírita de Allan Kardec


Já dizia Jesus, coberto de razão,
que não podemos atender a dois senhores...
Ou serve a Deus ou se serve ao dinheiro...

Naturalmente que você sabe muito melhor do que eu fazer esta diferença, dando, ainda conforme ensinava o Cristo, em sua sabedoria suprema, a Deus o que lhe pertence e a César o que lhe cabe.

Manda o equilíbrio você (e eu também) dar atenção ao trabalho profissional, aos impostos do Governo (neste país onde a carga tributária nos é uma das mais altas do mundo, sem o devido retorno na saúde, na educação e na segurança); deve dar atenção aos amigos nas horas de alegria e sobretudo nos momentos de uma dor física (e principalmente moral); deve dar atenção ao justo lazer. Porém de igual modo reservar uma terça parte do tempo da vigília à família, aos filhos, ao cônjuge, netos, sobrinhos, pais, sogros enfim, à parentela também.

Bem sei não ser fácil atender a tantos apelos num mundo onde se trabalha como um boi ladrão para, como diz Jô Soares em seu programa Nunca à Meia-Noite, comprar o pão-nosso-de-cada-dia na verdade cada-dia-menos-nosso! A classe média achatada pelo arrocho salarial e o bendito Imposto de Renda por cima todo mês de abril. Você abriu a carteira e dá carne ao Leão...

Soube que o Mahatma Gandhi, a grande alma, dedicou-se de tal modo e maneira com tanta intensidade para libertar a Índia do jugo da Grã-Bretanha sem disparar um só tiro, quando Churchill, em seu livro de memórias da juventude adorava dar um balaço na pança do inimigo. Bem, o inimigo era exatamente o sul-africano que se defendia da pilhagem britânica dos seus diamantes, entre eles o valioso quimberlito, como aprendi com o Prof. Dr. engenheiro Ruy Maurício de Lins e Silva (primo do Duque de Caxias) em 1964, aluno do 2° ano de Petrografia na antiga U.E.G., na então Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras.

Mas como vinha a relatar, Gandhi se deu de corpo e alma ao pacifismo que relegou a família a segundo plano de sorte que um seu filho se fez ébrio como escreveu Privat (suíço pioneiro da língua internacional, que conversou com Zamenhof, indo a pé dos Alpes até Varsóvia, onde clinicava o também médico dos pobres). Sim, o judeu polonês Luiz Lázaro Zamenhof lembra Bezerra de Menezes.

É … Não se pode mesmo agradar a gregos e a … baianos. Por isso é que a Misericórdia Divina nos dá a bênção das existências sucessivas, explicando-se assim porque um é Einstein e outro é um débil mental; uma mulher é tão linda como Marta Rocha e outra é feiinha bruxa das lendas infantis dos contos dos Irmãos Grimm.

Celso Martins (Cx. P. 61003 Rio de Janeiro RJ Cep 21615-970)

Celso Martins nasceu no Rio de Janeiro em 1942. É escritor e jornalista espírita conhecido em todo o país. Autor e co-autor em dezenas de livros publicados no Brasil e no exterior. Além de artigos veiculados por diversos periódicos.

É professor de Biologia e de Física, atualmente aposentado, e licenciado em História Natural e Pedagogia.

Esperantista desde 1956, atuou no campo das artes como poeta, sonetista, trovador e contista.

Dedica-se à difusão do Espiritismo e vem colaborando com a Resenha Espírita desde os primeiros tempos.

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Os Animais Ante o Natal
Irmão X, Antologia Mediúnica do Natal, psic. Chico Xavier, Ed. FEB

Os Dois Senhores

Os Animais Ante o Natal

Sesquicentenário do 2º Volume da Revista Espírita de Allan Kardec


Talvez não saibam vocês quanto devemos aos bichos na manifestação do Evangelho...

Entretecíamos animada conversação, em torno dos abusos da mesa nas comemorações natalinas, com o parecer do grave Jonathan ben Asser, que asseverava a conveniência de ater-se o homem ao sacrifício dos animais apenas quanto ao estritamente necessário, quando o velho Ebenezer ben Aquim, orientador de grupos hebraicos do Mundo Espiritual, tomou a palavra e se exprimiu conciso:

— Talvez não saibam vocês quanto devemos aos bichos na manifestação do Evangelho...

E, ante a nossa curiosidade, narrou, comovido:

— Há muitos anos, ouvi do rabi Eliúde, que se encontra agora nas esferas superiores, interessantes minudências em torno do nascimento de Jesus. Contou-nos esse antigo mentor de israelitas desencarnados que a localização de José da Galiléia e da companheira nos arredores de Belém de Judá não foi tão fácil.

O casal, que se compunha da jovem Maria, tocada de singular formosura, e do patriarca que a recebera por esposa, em madureza provecta, entrou na cidade quando as ruas e hospedarias se mostravam repletas.

Os descendentes do ramo de David reuniam-se aos magotes para atender ao resenceamento determinado pelo governo de Augusto.

Bronzeados cameleiros do deserto confraternizavam com vinhateiros de Gaza, negociantes domiciliados em Jericó entendiam-se com mercadores residentes no Egito.

Acompanhados por benemérita legião de Espíritos sábios e magnânimos, a cuja frente se destacava o abnegado Gabriel, que anunciara a Maria a vinda do Senhor, José e a consorte bateram primeiramente às portas da estalagem de Abias, filho de Sadoc, que para logo os rechaçou com a negativa; entretanto, pousando os olhos malevolentes na jovem desposada, ensaiou graçola irreverente, o que fez que José, apreensivo, estugasse o passo para diante.

Recorreram aos préstimos de Jorão, usurário que alugava cômodos a forasteiros. O ricaço considerou, de imediato, a impossibilidade de acolhê-los, mas, ao examinar a bleza da moça nazarena, chamou à parte o enrugado carpinteiro e indagou se a menina era filha de escravos que se pudesse obter a preço amoedado... José, mais aflito, demandou a frente para esbarrar na pensão de Jacob, filho de Josias, antigo estalajadeiro, que declarou impraticável o alojamento dos viajantes; no entanto, ao fixar-se na recém-chegada, perguntou desabridamente como é que um varão, assim velho, tinha coragem de exibir uma jovem daquela raridade em praça pública. Deprimido, o ancião diligenciou alcançar pousada próxima; contudo, as invectivas de Jacob atraíram curiosos e vadios que cercaram o par, crivando-o de injúrias.

Os recém-vindos de Nazaré, vendo-se alvo de chufas e zombarias, tropeçavam humilhados...

Gabriel, no entanto, recorreu à prece, rogando o Amparo Divino, e diversos emissários do Céu se manifestaram, em nome de Deus, deliberando que a única segurança para o nascimento de Jesus se achava no estábulo, pelo que conduziram José e Maria para a casa rústica dos carneiros e dos bois...

Ebenezer, a seguir, comentou, bem-humorado:

— Não fossem os anfitriões da estregaria e talvez a Boa Nova tivesse o seu aparecimento retardado...

E terminou, inquirindo:

— Não será isso motivo para que os animais na Terra sejam poupados ao extermínio, pelo menos no dia do Natal?

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1859 - 2009: Sesquicentenário do 2º Volume da Revista Espírita de Allan Kardec
Parte I, Enrique Baldovino

Os Dois Senhores

Os Animais Ante o Natal

Sesquicentenário do 2º Volume da Revista Espírita de Allan Kardec


No período 2008-2019 teremos a bênção de comemorar, em todos esses anos, os Sesquicentenários de lançamento de cada um dos 12 excelentes volumes da Revue Spirite Journal d'Études Psychologiques, volumes dirigidos magistralmente por Allan Kardec (de 1858 a 1869), cujos contextos históricos e sociais são diferentes em cada ano, conforme pesquisa realizada por nós neste artigo, onde desta vez abordamos o contexto geral da Revista Espírita de 1859, assim como já fizemos com a Revista de 1858 (ver a prestigiosa Revista Resenha Espírita de Dezembro de 2008, nº 03: 150 Anos - Homenagem à Revista Espírita).

Artigos Precursores da Codificação

São tantos os temas tratados na Revista de 1859, que faremos a seguir um resumo dos principais fatos acontecidos nesse ano. Uma das características que se destacam na RE (Revista Espírita) do Ano de 1859 é a elaboração de vários artigos que, pelo seu relevante conteúdo doutrinário, serão incorporados literalmente, em partes ou revisados em todos os Livros que compõem a Codificação Kardequiana.

Acreditamos, pelo exposto, que ler e estudar a fundo as páginas históricas da Revista Espírita é preparar-se para compreender muito melhor todo o conteúdo da notável Codificação, base inamovível do Espiritismo. Portanto, a leitura e a vivência dessas páginas de Luz hão de contribuir para o melhoramento dos homens, como bem o previa o emérito Codificador da Doutrina Espírita.

O Que é o Espiritismo

No mês de Julho de 1859, um extraordinário livro introdutório é lançado em Paris pelo mestre Kardec, como o registra a RE Jul. 1859VI: O Que é o Espiritismo Nova obra do Sr. Allan Kardec, pp. 294-295. Sobre este encantador opúsculo, cujo Sesquicentenário de lançamento estamos comemorando também neste ano de 2009, há uma reveladora informação na RE Mai. 1859I b +: Cenas da vida privada espírita Segunda conversa, p. 181, que vale a pena consultar.

Contexto Sócio-político

Por outro lado, diversos artigos da RE de 1859 têm como contexto social, histórico e político a Guerra da Itália (1859, segunda guerra de independência italiana), como por exemplo os seguintes artigos em série ou em seqüência (+) que encontramos na RE Jul. 1859III a +: Conversas familiares de Além-Túmulo Notícias da guerra: o zuavo de Magenta (1.ª conversa Sociedade, 10 de Junho de 1859), pp. 276-281; na RE Set. 1859III b: Conversas familiares de Além-Túmulo O general Hoche (Sociedade, 22 de Julho de 1859), pp. 364-368; na RE Set. 1859III a +: Conversas familiares de Além-Túmulo Um oficial do exército da Itália (2.ª conversa Sociedade, 1º de Julho de 1859. Vide a RE Jul. 1859, p. 283), pp. 362-364 etc.

Neste último artigo, e principalmente na 1.ª conversa (de 10/06/1859, p. 283) com esse oficial superior morto na batalha de Magenta (Itália), descobrimos a identidade do célebre general X, que quando encarnado foi Ministro do Interior e de Segurança Geral como informa Obras Póstumas num determinado período do governo imperial de Napoleão III, período que conseguimos identificar para poder investigar o seu legado.

O general X obteve a autorização para o funcionamento legal da SPEE Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas(1) e, somente seis dias após a sua desencarnação na batalha de Magenta (04/06/1859), conversou mediunicamente com Allan Kardec em dois excelentes diálogos que valem a pena serem lidos e estudados. A esse respeito, ver as nossas Notas do Tradutor (N. do T.) números 116, 129 e 150 do Ano de 1859 (CEI Conselho Espírita Internacional).(2)

Evocações Notáveis

Na interessante seção da RE: Conversas familiares de Além-Túmulo, o Codificador teve em 1859 diálogos memoráveis com várias personalidades de renome nacional e internacional, agora na condição de Espíritos desencarnados: Gaimard, Soulié, Humboldt, Goethe, a Senhora Ida Pfeiffer, os irmãos Arago, Diógenes, Cellini, Codemberg, Poitevin, o general Hoche, Voltaire, Frederico II, Privat d'Anglemont, Swedenborg, o general X etc.


Referências Bibliográficas:

(1) RESENHA ESPÍRITA. Manuscrito inédito de Kardec. Origens da Sociedade de Paris. Artigo de Enrique Eliseo Baldovino. Ano XXV - Nº 02 de 2008, páginas 13 a 15 (www.resenhaespirita.com.br e www.livrariamundoespirita.com.br). Brasília, DF.

(2) KARDEC, Allan. Revista Espírita: Periódico de Estudios Psicológicos. Traduzida do original francês para o castelhano por Enrique Eliseo Baldovino, com Prefácio do Espírito José María Fernández Colavida, psicografado em espanhol pelo médium Divaldo Pereira Franco (pp. V- VII). 1.ª edição, 560 páginas, ilustrada (com o Fragmento de uma Sonata, ditado pelo Espírito Mozart ao médium Brion Dorgeval, nas pp. 365 a 369). Ano de 1859, volume II, com Prólogo do tradutor, Abreviaturas Remissivas de 1859, Referências Bibliográficas (220 RB) das N. do T., Índice Antroponímico, Notas do Tradutor no final da Obra (428 NT) e Notas da USFF. Brasília, DF: EDICEI (Conselho Espírita Internacional: www.ceilivraria.com.br), 2009.

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