Resenha Espírita
Brasília/DF - Brasil
Edição: Março/2010
Última atualização: 05/maio/2010
Entrevista

Entrevista concedida por Vitor Ronaldo Costa


Para melhor nos situarmos no assunto, relembremos que, de acordo com as diretrizes espíritas, a obsessão é a ação maléfica exercida voluntariamente por um mau espírito sobre outrem. Pois bem. O reconhecimento dos sintomas obsessivos nos é possível quando se tratar de uma obsessão simples, ou seja, aquela cuja ação não implica maior constrangimento do nosso campo mental. Note-se que, em tal eventualidade, a má influência é de caráter episódico, recorrente, de modo a permitir que o indivíduo, nos intervalos das crises, raciocine com clareza e discernimento, ao ponto de se questionar por que agiu de forma vexatória e descontrolada. Tão somente em momento de invigilância é que o obsessor aperta os laços fluídicos e exerce a ação mental deletéria, em virtude do componente volitivo do sujeito ceder espaço à vontade do obsessor. A partir de então, seguem-se os arrastamentos responsáveis por atitudes inconvenientes, exageradas, violentas, além da exacerbação das tendências viciosas, detalhes, em princípio, não condizentes com o nível cultural e religioso da criatura. Na forma simples de obsessão, o indivíduo atento pode reagir, buscar o autocontrole da vontade, desviar os maus pensamentos e escudar-se no cultivo salutar da prece, afastando decididamente o agente espiritual mal intencionado. Todavia, nas demais expressões obsessivas, as ligações imânticas se mostram marcantes e bem definidas, a exemplo do que acontece com a fascinação espiritual. O fascinado sofre uma espécie de ilusão que lhe paralisa o raciocínio. Perde a capacidade de discernimento. A interação mental com o obsessor é tão acentuada, que a própria vítima, em hipótese alguma, julga-se equivocada. A ação hipnótica persistente impõe-lhe fatalmente à adoção de uma atitude fanatizante. E todo fanático, como se sabe, age às escuras, perde o senso de auto-avaliação, jamais admite estar iludido, portanto não se imagina vítima de uma obsessão espiritual complexa. O mesmo raciocínio é válido para a subjugação espiritual, em que o sintoma de destaque é a abolição da vontade. A vítima age como se fosse um robô sob comando de seu algoz, torna-se incapaz de qualquer reação defensiva, a requerer urgentemente o auxílio terapêutico dos grupos mediúnicos dedicados às práticas desobsessivas. Não olvidemos, entretanto, que as fases mais avançadas e deletérias da obsessão se iniciam na forma simples, período em que o indivíduo pode se sentir incomodado por ideias e atitudes estranhas e, por conseguinte, suspeitar de alguma interferência espiritual externa, com possibilidade de reagir a tempo e adotar as iniciativas saneadoras do próprio campo mental.


Vitor Ronaldo Costa nasceu em Natal (RN). Casado, é pai de quatro filhos e avô de vários netos. Formou-se em medicina e exerceu a clínica médica homeopática em Porto Alegre (RS) e em Brasília (DF), onde fixou residência e se aposentou da profissão.

Desenvolve múltiplas atividades no campo da divulgação espírita. É autor de várias obras doutrinárias, palestrante reconhecido e colaborador de inúmeros periódicos espíritas. Atua há cerca de trinta anos em reuniões mediúnicas desobsessivas praticadas em hospitais espíritas, participa de voluntariado assistencial e desenvolve pesquisas nos vastos campos da mediunidade e da obsessão espiritual, procurando conciliar os propósitos da medicina clássica com os aspectos científicos do Espiritismo.

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