Resenha Espírita
Brasília/DF - Brasil
Edição: Março/2010
Última atualização: 05/maio/2010
Joanna de Ângelis

Enfermos da Alma
Atitudes Renovadas, Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo P. Franco, Ed. Leal

Ao lado da violência, dos distúrbios do sexo ultrajado,
da drogadição, dos vícios em geral,
os estados inquietantes da alma aumentam significativamente a cada dia, a toda hora...

Olha em derredor, saindo um pouco do ensimesmamento ou da agitação, e os verá.

Eles estão em toda parte, solitários ou aturdidos na multidão, em silêncios tormentosos ou em excesso de verbalismo, caminhando sem rumo ou desinteressados da existência. Alguns apresentam a fácies característica do desequilíbrio, enquanto outros parecem equilibrados sem o serem.

Transtornos de diversos tipos tomam conta da sociedade contemporânea, demonstrando que algo especial está ocorrendo no planeta.

Ao lado da violência, dos distúrbios do sexo ultrajado, da drogadição, dos vícios em geral, os estados inquietantes da alma aumentam significativamente a cada dia, a toda hora...

Tumulto e arrogância, agressividade e pessimismo, indiferença e desespero dão-se as mãos e, a pouco e pouco, dominam as criaturas.

O desrespeito aos valores ético-morais, a adoção de comportamentos esdrúxulos, a desconsideração pelas conquistas sociais e avanços culturais formam o painel sombrio da atualidade.

Não seja de estranhar o acontecimento, porquanto nos encontramos em plena grande transição do planeta para mundo de regeneração e a seleção natural dá-se de maneira ostensiva.

Esses Espíritos que optam pelo mal, que se entregam às licenças morais e aos despautérios, aos instintos agressivos que deveriam estar sob o controle da consciência e da razão, dispõem da grande oportunidade de transformação para melhor. Nada obstante, aferrados aos hábitos infelizes, preferem prosseguir na correria da insânia à adaptação aos padrões da sensatez, desperdiçando a nobre ocasião de crescimento interior e de autorrealização elevada.

Todos eles, porém, são nossos irmãos enfermos da alma.

Tombaram, sim, nos abismos da ignorância e perseveram nas disposições rebeldes a que dão valor, como se o sentido existencial pudesse ficar reduzido à penúria moral e ao galope da alucinação.

Considera o próprio comportamento, examinando como tens agido e conduzido a embarcação carnal em que te encontras, a fim de que não sejas carregado pela corrente volumosa das aflições.

Há carência de real afetividade entre os indivíduos, enquanto multiplicam-se o prazer mentiroso e os desejos infrenes nessa vidas sem diretriz de segurança.

Em toda parte os encontrarás: no lar, na oficina de trabalho, no educandário, nos vários grupos sociais, isolados ou formando clãs com os quais sintonizam, vivendo de forma promíscua...

As enfermidades morais são muito mais graves do que as físicas, sendo, aliás, uma das suas causas, por manifestar-se na organização fisiológica, afetando a emoção, a mente e o sentimento.

Não se dão conta da problemática infeliz, esses doentes, mesmo quando advertidos ou convidados à terapia renovadora em favor da saúde real.

Preferem se diferentes, chamar a atenção pelo escândalo, através do comportamento extravagante, em afronta aos códigos de equilíbrio estabelecidos.

São infelizes e pretendem disfarçar o que lhes passa interiormente, o que sofrem e os torna rebeldes.

Nossos irmãos enfermos da alma aguardam pelo nosso contributo de paciência, de compreensão de amizade sem exigências.

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Não te mantenhas indiferente aos irmãos em desalinho moral.

Inicia o teu treinamento de socorro discreto, mantendo o sentimento de compaixão, em silêncio que seja, sem os censurar ou maldizer, sem os agredir ou recriminar, porque, de alguma forma, já transitaste por caminho semelhante.

Agora é a vez de eles serem amparados e compreendidos pela misericórdia da caridade.

Nem sempre será fácil estar com eles, em razão das suas extravagâncias, dos seus arroubos ou rancores mal controlados.

Armam-se de animosidade em mecanismo de autodefesa, para não serem molestados na conduta em que se comprazem, porque estão incapazes de amar e de modificar-se seguindo a trilha do bem.

Sem que interfiras na sua existência, permite que eles percebam que és um amigo disponível, que estás às ordens, que eles contam contigo, quando se resolvam por procurar-te.

Evita, desse modo, a postura puritana e cruel, como se estivesses indene a erros e a compromissos infelizes.

Numa longa viagem, ninguém jamais se pode considerar triunfador, enquanto não chegue ao final, porquanto, de um para outro momento pode surgir algum empecilho, embora o esforço aplicado não consiga ultrapassá-lo para atingir a meta.

Assim também ocorre na existência carnal, em cujo percurso há sempre possibilidade de comprometimentos desastrosos, despertamento de emoções adormecidas que geram aflições.

Se te dispuseres a amá-los, usa a palavra gentil e compreensiva, mantém as atitudes fraternais e a bondade compassiva, de forma que seja facilitada a construção da ponte da amizade por onde transitarão a suas dores em tua direção e os teus medicamentos de amor no rumo delas.

Ninguém se deve eximir ao dever de contribuir em favor do mundo melhor, mesmo correndo alguns riscos inevitáveis, desde que a indiferença ante a dor do próximo significa aproximação de futuras aflições que não foram interditadas.

Constituímos uma família, e torna-se indispensável que pensemos em termos de unidade, de identificação fraternal, de compreensão.

A resistência de uma corrente encontra-se no seu elo mais fraco, também no organismo social a sua grandeza ou miséria está presente no seu ser mais frágil.

Contribuir em favor da sua edificação é dever de todos aqueles que desejam a própria com a felicidade geral.

Sai, então, da comodidade, das precauções exageradas para que nada de mal te aconteça e enfrenta a dor, na condição de enfermeiro da misericórdia, socorrendo os nossos irmãos enfermos da alma.

Num incêndio, ninguém deve permanecer indiferente, esperando que venham os bombeiros para solucionar a problemática. Enquanto esses especialistas não chegam, faze algo, por mais insignificante que te pareça, que terá sempre um sentido de apoio e de solução para o grave problema.

Os incêndios nas almas aguardam pela gota de água dos corações afetuosos e pacíficos.

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Jesus sempre esteve cercado pelos enfermos da alma: publicanos, pecadores, necessitatos, mendigos, enfermos...

Era censurado pelos fariseus hipócritas e pelas demais classes dominantes que permaneciam distante da aflição do seu próximo.

Ele nunca lhes deu importância. Veio para demonstrar o amor de Deus pelos Seus filhos, entregando-se, sem fadiga, ao ministério do amor.

Combatido ou interrogado pelas razões do Seu proceder, compreendia o atraso moral dos seus inquisidores e narrava-lhes parábolas, através das quais lecionava compaixão e misericórdia, amor e caridade, oferecendo um legado luminoso para todas as épocas da humanidade.

Embora os teus limites, faze o mesmo.

Desincumbe-te da parte que te compete: amar e servir sem desfalecimento, porquanto os nossos irmãos enfermos da alma estão mais próximos do que parece, não te podendo considerar ainda realmente saudável, assim fazendo parte da imensa legião de sofredores que buscam amparo em Jesus, que nunca se recusou a atender os aflitos e incompreendidos.

Dá início às tuas atitudes renovadas...

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