Resenha Espírita
Brasília/DF - Brasil
Edição: Março/2010
Última atualização: 05/maio/2010
Matérias

Brasília 50 Anos — JK e os Espíritos
Celso Martins

Brasília 50 Anos

O Poder das Trevas

Sesquicentenário do 2° Volume da Revista Espírita de Allan Kardec


O católico, apostólico, romano, Juscelino Kubitschek de Oliveira
também ia conversar com Chico Xavier, sim, senhor.

Até parece ontem mesmo, embora dez lustros se tenham passado na ampulheta inexorável do tempo. Estava eu em casa a ler algo em Esperanto quando, do rádio de uma vizinha, lá na rua Luiz Sobral, 616, Califórnia, Nova Iguaçu, e eu em 18/07/69 e eu que me tornaria marido de uma sobrinha distante do dentista, de Campos dos Goytacazes (RJ), ouvia a voz do Juça, o presidente Bossa-nova, instalando em 21 de abril de 1960, a capital Federal em Brasília, realizando um sonho que vinha dos idos da turma de Vila Rica, liderados por Tiradente; graças à dupla Lúcio Costa – Niemeyer. Caiu, se não me engano, pois escrevo sem consultar alfarrábios, numa linda quarta-feira, às 10 da manhã. Valho-me da precária memória, de pilha gasta.

Que os políticos sempre buscam os médiuns, e com eles conversar com os mortos, até aí não há novidades. O saudoso pesquisador, destacado poliglota e adorável escritor Wallace Leal Valentin Rodrigues, à frente da Casa Editora O Clarim de Matão (SP) já o provou no livro Sessões Espíritas na Casa Branca, por mim lido assim que saiu publicado. Mas antes mesmo sabia eu, em minha ânsia de diminuir a minha infinita ignorância sobre todos os assuntos, que os soberanos buscavam as sibilas nos oráculos. Napoleão III, o sobrinho do corso, não convidava Kardec a conversar nas Tulheiras?

O brasileiro não iria fazer exceção. Getúlio Vargas, mesmo materialista, tomava passe no Cenáculo do Frei Luiz, quando este grupo espírita estava na Estrada da Martinha, no bairro Abolição, aqui no Rio de Janeiro, como denunciei, creio que em furo de reportagem, na obrinha Três Espíritas Baianos, pela Madras – vertente espírita.

O católico, apostólico, romano, Juscelino Kubitschek de Oliveira também ia conversar com Chico Xavier, sim, senhor. Leiam o livro do Ronaldo Costa Couto sobre Brasília e Juscelino, pela Nova Fronteira, criada pelo jornalista e político Carlos Frederico Werneck Lacerda, e dirigida por seu filho Sérgio.

1º exemplo – antes de chegar ao Palácio de Belo Horizonte, ante a presença de algozes políticos, JK vai ao Chico, ainda em Pedro Leopoldo, e o médium de Emmanuel e André Luiz, garante que o médico-urologista será Governador.

2º exemplo – descansa um pouco o ativo Juscelino quando lhe vai ao encontro um frade católico, com ele conversando sobre assunto não revelado. Segredo de Estado. Nonô, depois, irritado, reclama com os seus seguranças. Mas estes afirmam que ninguém entrara nos seus aposentos. Ou o governador viu um espírito como médium vidente. Ou um espírito a ele se materializou. Ambas as duas hipóteses são válidas. Primeiro, efeito inteligente. O outro, efeito físico.

3º exemplo – médico, JK assina o indulto de Zé Arigó. V. o livro de José Herculano Pires – Arigó, Vida, Mediunidade e Martírio, agora pela EME.

Celso Martins (Cx. P. 61003 Rio de Janeiro RJ Cep 21615-970)

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O Poder das Trevas
Jesus no Lar, 39, Neio Lúcio, psic. Chico Xavier, ed. FEB

Brasília 50 Anos

O Poder das Trevas

Sesquicentenário do 2° Volume da Revista Espírita de Allan Kardecl


Como te atreves a admitir algum valor em tuas obras destinadas ao pó?
Não te sentes simples joguete de paixões inferiores da carne?
Não te envergonhas da animalidade que trazes no ser?
Que pode um grão de areia perdido no deserto?
Não te reconheces na posição de obscuro fragmento de lama?

Centralizando-se a palestra no estudo das tentações, contou Jesus, sorridente:

— Um valoroso servidor do Pai movimentava-se, galhardamente, em populosa cidade de pecadores, com tamanho devotamento à fé e à caridade, que os Espíritos do Mal se impacientaram em contemplando tanta abnegação e desprendimento. Depois de lhe armarem os mais perigosos laços, sem resultado, enviaram um representante ao Gênio das Trevas, a fim de ouvi-lo a respeito.

Um companheiro de consciência enegrecida recebeu a incumbência e partiu.

O Grande Adversário escutou o caso, atenciosamente, e recomendou ao Diabo Menor que apresentasse sugestões.

O subordinado falou com ênfase:

— Não poderíamos despojá-lo de todos os bens?

— Isso, não — disse o perverso orientador —; para um servo dessa têmpera a perda dos recursos materiais é libertação. Encontraria, assim, mil meios diferentes para aumentar suas contribuições à Humanidade.

— Então, castigar-lhe-emos a família, dispersando-a e constrangindo-lhe os filhos a enchê-lo de opróbio e ingratidão...- aventou o pequeno perturbador, reticencioso.

O perseguidor maior, no entanto, emitiu gargalhada franca e objetou:

— Não vês que, desse modo, se integraria facilmente com a família total que é a multidão?

O embaixador, desapontado, acentuou:

— Será talvez conveniente lhe flagelemos o corpo; crivá-lo-emos de feridas e aflições.

— Nada disto acrescentou o gênio satânico -, ele acharia meios de afervorar-se na confiança e aproveitaria o ensejo para provocar a renovação íntima de muita gente, pelo exercício da paciência e da serenidade na dor.

— Movimentemos a calúnia, a suspeita e o ódio gratuito dos outros contra ele! clamou o emissário.

— Para quê? tomou o Espírito das Sombras. Transformar-se-ia num mártir, redentor de muitos. Valer-se-ia de toda perseguição para melhor engrandecer-se, diante do Céu.

Exasperado, agora, o demônio menor aduziu:

— Será, enfim, mais aconselhável que o assassinemos sem piedade...

— Que dizes? redargüiu a Inteligência perversa a morte ser-lhe-ia a mais doce bênção por reconduzi-lo às claridades do Paraíso.

E vendo que o aprendiz vencido se calava, humilde, o Adversário Maior fez expressivo movimento dos olhos e aconselhou, loquaz:

— Não seja tolo. Volta e dize a esse homem que ele é um zero na Criação, que não passa de mesquinho verme desconhecido... Impõe-lhe o conhecimento da própria pequenez, a fim de que jamais se engrandeça, e verás...

O enviado regressou satisfeito e pôs em prática o método recebido.

Rodeou o valente servidor com pensamentos de desvalia, acerca de sua pretendida insignificância e desfechou-lhe perguntas mentais como estas: "Como te atreves a admitir algum valor em tuas obras destinadas ao pó? Não te sentes simples joguete de paixões inferiores da carne? Não te envergonhas da animalidade que trazes no ser? Que pode um grão de areia perdido no deserto? Não te reconheces na posição de obscuro fragmento de lama?"

O valoroso colaborador interrompeu as atividades que lhe diziam respeito e, depois de escutar longamente as perigosas insinuações, olvidou que a oliveira frondosa começa no grelo frágil e deitou-se, desalentado, no leito do desânimo e da humilhação. Para despertar somente na hora em que a morte lhe descortinava o infinito da vida.

Silenciou Jesus, contemplando a noite calma...

Simão Pedro pronunciou uma prece sentida e os apóstolos, em companhia dos demais, se despediram, nessa noite, cismarentos e espantadiços.

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1859 - 2009: Sesquicentenário do 2º Volume da Revista Espírita de Allan Kardec
Parte Final, Enrique Baldovino

Brasília 50 Anos

O Poder das Trevas

Sesquicentenário do 2° Volume da Revista Espírita de Allan Kardec


Em 1859, a SPEE mudou de domicílio

Na sexta-feira, 1º de Abril de 1859 — um ano depois da sua fundação —, a Société Parisienne des Études Spirites (SPEE) mudou de domicílio, saindo da Galeria Valois, nº 35 (do lado direito do Palais Royal), onde se encontrava desde 01/04/1858, para um dos salões do restaurante Douix, na Galeria Montpensier, nº 12 (do lado esquerdo do Palácio Real), onde permaneceu até 1º de Abril de 1860.

Na História do Espiritismo, vale ressaltar a relevante importância deste Primeiro Centro Espírita do mundo, formal e legalmente constituído em 1.º de Abril de 1858, que colocará as bases doutrinárias para a formação e estrutura do Movimento Espiritista nacional e internacional, graças ao trabalho hercúleo e sabiamente organizado de Allan Kardec, que ocupou a Presidência da SPEE até sua desencarnação, sempre reeleito por unanimidade.

Boletim histórico e raro da SPEE

Continuando com as amplas tarefas da SPEE, o incansável Codificador publicará pela primeira vez, em 1859, dentro das páginas da Revue Spirite, o Boletim da SPEE, que é anunciado no mês de Julho de 1859 (pp. 274-275) e lançado em Agosto do mesmo ano (p. 333). Nestes interessantíssimos Boletins foram transcritas as atas de cada sessão da SPEE (ver a N. do T. 139), cujos trabalhos realizados encontram-se históricamente registrados para a posteridade e, ao relê-los hoje, nos permitem conhecer o cotidiano da SPEE, fazendo-nos participar “ao vivo” das suas memoráveis reuniões.

Os históricos Boletins foram publicados na Revista Espírita até o mês de Fevereiro de 1861, isto é, foram 16 números, num total de 105 páginas (correspondentes somente ao Boletim). Era também uma espécie de órgão interno da Sociedade, cujas páginas variavam entre quatro e doze por mês, no citado período.

Sonata ditada pelo Espírito Mozart

Por outro lado, um documento muito raro, e, até há pouco inédito,(3) foi incluído nas páginas desta Revista de 1859, fac-símiles que por primeira vez serão incorporados a um livro, resgatando assim o CEI esta peça extraordinária com a publicação da Revista Espírita de 1859 em espanhol: trata-se do Fragmento de uma Sonata, ditado pelo Espírito Mozart ao médium Brion Dorgeval (RE Mai. 1859–II : Música de Além-Túmulo, pp. 186-191), cujas partituras intercalamos nas páginas 365 a 369 (da nossa versão). Da mesma forma que a Revue Spirite e outros livros espíritas e espiritualistas, esse Fragmento de Sonata (ver as N. do T. 87, 278 e 350) foi queimado no tristemente célebre Auto-de-fé de Barcelona, por ordem do seu bispo Antonio Palau y Termens, na quarta-feira, 9 de Outubro de 1861.

Contexto científico e cultural

A respeito do contexto científico e cultural do Ano de 1859, fazendo uma breve linha do tempo, neste mesmo ano nasceram importantes personalidades mundialmente conhecidas, a saber: Pierre Curie, Conan Doyle, Zamenhof, John Dewey, Husserl etc. Em 1859 travaram-se as batalhas de Solferino e de Magenta (2ª Guerra da Itália). Espanha declarou a guerra a Marrocos.

Charles Darwin publicou, em 24 de Novembro de 1859, “A origem das espécies” (cf. a N. do T. 316, § 2º). Marx editou sua “Contribução à crítica da economia política”. Victor Hugo publicou “A lenda dos séculos”. O pintor Manet foi rejeitado no Salão oficial. Em 1859, o físico alemão Gustav Kirchhoff propôs sua lei de emissão de radiação térmica. Nesse mesmo ano, Maxwell elaborou a sua teoria cinética dos gases. Em 1º de Septembro de 1859, o astrônomo britânico Richard Carrington, enquanto observava as manchas solares, foi a primeira pessoa a ver uma explosão solar.

Contexto histórico

Então, observemos a importância do contexto geral da aparição da Revue Spirite de 1859. Neste ano faleceram as seguintes personalidades célebres, sendo que as três primeiras referidas foram oportunamente evocadas pelo nobre Codificador: Alexander von Humboldt, o general Charles-Marie-Esprit Espinasse, Alexandre Privat d’Anglemont, Washington Irving, Thomas de Quincey, Wilhelm Grimm, Peter Gustave Lejeune Dirichlet etc.

No ano de 1859, o físico francês Gaston Planté realizou exitosas experiências com o que se tornou a primeira bateria recarregável. Em 22 de Setembro deste mesmo ano, Karl Theodor Robert Luther descobriu o asteróide nº 57 da série, o qual recebeu o nome Mnemosina. Nesse ano iniciava-se a construção do Canal de Suez. Romênia converteu-se num Estado nacional (cf. a N. do T. 122) em 1859. Pela primeira vez, os Estados Unidos extraíram petróleo. Neste ano, George Boole inventou o cálculo binário, que seria a base do futuro cálculo eletrônico, sendo considerado um dos precursores da Informática.


Referências Bibliográficas:

(3) KARDEC, Allan. Revista Espírita: Periódico de Estudios Psicológicos. Traduzida do original francês para o castelhano por Enrique Eliseo Baldovino, com Prefácio do Espírito José María Fernández Colavida, psicografado em espanhol pelo médium Divaldo Pereira Franco (pp. V- VII). 1.ª edição, 560 páginas, ilustrada (com o Fragmento de uma Sonata, ditado pelo Espírito Mozart ao médium Brion Dorgeval, nas pp. 365 a 369). Ano de 1859, volume II, com Prólogo do tradutor, Abreviaturas Remissivas de 1859, Referências Bibliográficas (220 RB) das N. do T., Índice Antroponímico, Notas do Tradutor no final da Obra (428 NT) e Notas da USFF. Brasília, DF: EDICEI (Conselho Espírita Internacional: www.ceilivraria.com.br), 2009.

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