Resenha Espírita
Brasília/DF - Brasil
Edição: 04/2011
Última atualização: 31/12/2011
Matérias

Croniqueta Sobre o Natal
Celso Martins

Croniqueta Sobre o Natal

O Elo Encontrado



Com meus pais aprendi e a meus filhos ensinei que quem diz a Verdade não merece castigo. Mentira! É a mais mentirosa mentira do mundo! A longa História da Civilização prova e comprova ( e muitos não aprovam) que aquele que diz a dura Verdade é exatamente o castigado. Exemplos? Eu os tenho às toneladas e você já os conhece sobejamente como um Sócrates a tomar uma taça de cicuta, um Tiradentes a ser enforcado, uma Joanna D`Arc virar churrasco na fogueira em praça pública, um Martin Luther King Júnior levar um tiro, e, para não tomar muito tempo do leitor, arremato na longa listagem com o Cristo supliciado na cruz no cimo do Calvário, de braços abertos abraçando toda a Humanidade, um braço para cima buscando a Deus e o outro estendido para baixo, segurando a mão de todos, de um a um irmão seu, tentando tirar-nos do lodo do egoísmo para o solo firme do amor!

Embora persigam quem diz a Verdade, ouso dizê-la quando considero ser o Natal, o 25 de Dezembro, a data mais nostálgica do calendário. Disse nostálgica para não adjetivá-la de bem triste! Sim é triste, e a sua tristeza vem envolta em saudade da infância, da juventude, do namoro, do noivado que só me voltarão na próxima encarnação, espero que num mundo melhor. E para tanto, como você, luto muito!

E por que motivo considero o Natal uma data nostálgica? É ´porque enquanto uma escassa minoria come caviar e lagosta o ano inteiro escarnando da miséria alheia, na mesma quadra do seu quarteirão crianças morrem de fome, velhos morrem de frio, desempregados honestos não roem uma códea de pão branco. Igualmente enquanto meia dúzia de arquimilionários que apenas investem dólares e mais dólares ou euros e mais euros na Bolsa de Valores de Nova Iorque, a maioria da Humanidade não consegue comprar um copo de leite, e os ricos bebem uísque escocês; não dispõe a plebe ignara e ignorada um prato de feijão com arroz e os poderosos lançam bombas sobre soldados e até civis na ânsia de se obter no solo alheio o preto do petróleo em meio ao vermlho sangue dos nativos espoliados e explorados; não dispõe o miserável de um leito de hospital bem equipado, com médicos e pessoal de apoio bem remunerados, com medicamentos para tirá-lo da dor e os dirigentes de povos e nações fumam charutos e repousam em sofás macios em seus casarões enquanto pela corrupção mandam fortunas para os paraísos fiscais! Pelo menos é o que a tevê exibe e eu vejo. E você também, não é?

Sim, a meu ver o Natal tem o mérito de reunir a família, alegrar muitas crianças beijando os avôs presentes. Isso é lindo! Mas a ânsia do poder separa os filhos dos pais e eles morrem nas guerras e rebeliões e desagrega a mesma família pelas drogas, a começar pela cachaça do Brasil e a terminar pela vodca na Rússia! Dinheiro do supérfluo que aliviaria a fome de bilhões!

Graças ao Bom Deus uma enorme maioria no silêncio trabalha dia e noite, alimentando a esperança nos tristes, acalentando nos braços órfãos de pais vivos, socorrendo doentes terminais, pois é esta turma de todas as partes do mundo na seara bendita do Bem é que, sem esperar recompensa, diz: “Bom Natal para você”.

Bibliografia: Notícias do Planeta Azul, ed. Associação Educacional Francisco Cândido Xavier, MA

Celso Martins (Cx. P. 61003 Rio de Janeiro RJ Cep 21615-970)

Celso Martins nasceu no Rio de Janeiro em 1942. É escritor e jornalista espírita conhecido em todo o país. Autor e co-autor em dezenas de livros publicados no Brasil e no exterior. Além de artigos veiculados por diversos periódicos.

É professor de Biologia e de Física, atualmente aposentado, e licenciado em História Natural e Pedagogia. Esperantista desde 1956, atuou no campo das artes como poeta, sonetista, trovador e contista.

Dedica-se à difusão do Espiritismo na tribuna, na Rádio Rio de Janeiro e pela TV Bandeirantes. Vem colaborando com a Resenha Espírita desde os primeiros tempos.

Volta ao topo da página
O Elo Encontrado
Enrique Eliseo Baldovino - henriquedefoz@uol.com.br

Croniqueta Sobre o Natal

O Elo Encontrado


Allan Kardec registrou o seguinte no frontispício da Obra que homenageamos: «O Livro dos Médiuns [...] contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, [...] constituindo o seguimento de O Livro dos Espíritos.» (1)

Neste ano de 2011 temos a honra de homenagear o Sesquicentenário de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, isto é, os 150 anos do lançamento desse Livro monumental – uma das Obras Básicas do Pentateuco Kardequiano –, volume lançado na terça-feira, 15 de Janeiro de 1861, em Paris, por Didier e Companhia, livreiros-editores (35, Quai des Augustins), e por Ledoyen, livreiro (Galerie d’Orléans, 31, no Palais-Royal).

Há vários anos chama-nos a atenção as palavras colocadas pelo ínclito Codificador no frontispício de Le Livre des Médiuns, que servem de epígrafe ao nosso artigo, cujo original francês citamos a seguir de forma completa:

«Le Livre des Médiums ou Guide des Médiums et des Évocateurs, contenant l’enseignement spécial des Esprits sur la théorie de tous les genres de manifestations, les moyens de communiquer avec le monde invisible, le développement de la médiumnité, les difficultés et les écueils que l’on peut rencontrer dans la pratique du Spiritisme, POUR FAIRE SUITE au Livre des Esprits, par Allan Kardec». (Destaques nossos.) (2)

Seguimento de O Livro dos Espíritos

A tradução é a seguinte: «O Livro dos Médiuns ou Guia dos Médiuns e dos Evocadores, contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo, CONSTITUINDO O SEGUIMENTO de O Livro dos Espíritos, por Allan Kardec». (Destaques nossos.) (1)

A expressão francesa pour faire suite a significa: constituir o seguimento de, dar sequência a, ser a continuação de,(3) etc. O mestre de Lyon era muito preciso em suas palavras, e cada vez que lemos e estudamos suas obras codificadas emocionamo-nos sobremaneira, não somente com o sublime conteúdo científico, filosófico e religioso da Doutrina Espírita, senão também com a elevada forma de linguagem exposta pelos Espíritos superiores e pelo próprio Codificador, nos seus brilhantes comentários e na sua didática ímpar.

1ª edição rara de O Que é o Espiritismo

Na 1ª e rara edição francesa (93 páginas no original) da Obra Qu’est-ce que le Spiritisme, publicada por Kardec no mês de Julho de 1859, em Paris (Ledoyen, livreiro, e bureau da Revue Spirite, Imprimerie do Sr. Beau, em Saint-Germain-en-Laye), Livro que hoje encontramos na internet,(4) achamos uma REVELADORA INFORMAÇÃO nas folhas finais, usadas pelo editor, pela imprimerie e pela typographie (o que seriam as gráficas atuais), à guisa de catálogo, onde estão registradas várias páginas publicitárias dos próximos lançamentos a serem colocados à venda.

Entre as páginas 97 a 100 da referida 1ª edição de O Que é o Espiritismo, constatamos a divulgação de um sumário ou Índice Geral de Le Livre des Esprits, com os seus respectivos Livros ou Partes, seguidos por todos os seus capítulos em extenso. Ao chegarmos à página 100, e depois de lermos os preciosos temas do LIVRE PREMIER – Las Causes Premières (LIVRO PRIMEIRO – Das Causas Primárias), do LIVRE DEUXIÈME - Monde spirite ou des Esprits (LIVRO SEGUNDO – Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos), do LIVRE TROISIÈME - Lois Morales (LIVRO TERCEIRO - Das leis morais) e do LIVRE QUATRIÈME - Espérances et consolations (LIVRO QUARTO – Das esperanças e consolações), lemos o seguinte com atenção e com grande emoção:

LIVRE CINQUIÈME - Manifestation des Esprits (LIVRO QUINTO - Manifestação dos Espíritos).(4)

Ficamos realmente admirados ao constatar que o Codificador tinha a intenção de adicionar mais um Livro ou Parte à nova edição de Le Livre des Esprits, com o fim de desenvolver temas relativos às manifestações mediúnicas e aos médiuns, dando assim SEQUÊNCIA ao universo de temas proposto pelo Espiritismo. Mas depois, por conselho dos Espíritos ou por outras razões, optou por fazer esse SEGUIMENTO em uma nova obra específica, O Livro dos Médiuns, tendo a mediunidade como objeto de estudo.

Raro e histórico fac-símile

Apresentamos a seguir o raro e histórico fac-símile do mencionado LIVRE CINQUIÈME (página 100, nas folhas finais publicitárias da 1ª edição de Qu’est-ce que le Spiritisme), junto de nossa tradução, do francês para o português, dos 8 capítulos do LIVRO QUINTO não publicado, que pretendia-se anexar a Le Livre des Esprits (o que terminou por não acontecer), onde podemos observar interessantes temas mediúnicos abordados, de grande atualidade doutrinária.

Lembramos que até a época referida (Julho de 1859), somente havia sido publicada uma só edição do Livro Luz: a 1ª e histórica edição de Le Livre des Esprits, no sábado, 18 de Abril de 1857, com 501 questões e 3 PARTES ou LIVROS (Paris, livreiro E. Dentu, Palais-Royal, Galerie d’Orléans, 13 - Imprimerie do Sr. Beau, em Saint-Germain-en-Laye), cujo capítulo X da 1ª Parte chamava-se também Manifestation des Esprits (questões 200 à 276 da 1ª edição).

No contexto da aparição deste raro fac-símile, estamos entre o mês de Julho de 1859 e o mês de Março de 1860, sendo que esta última data é da publicação da 2ª e definitiva edição de O Livro dos Espíritos, inteiramente refundida e consideravelmente aumentada, tal qual hoje a conhecemos, contendo as 1019 questões e os 4 LIVROS ou PARTES (Paris, Didier et Cie, et Ledoyen - Imprimerie de P.-A. Bourdier et Cie, rue Mazarine, 30).

Aviso sobre esta nova edição

É o próprio Allan Kardec quem explica a nova distribuição das matérias na reimpressão de O Livro dos Espíritos, somente na forma metódica e não nos princípios da Doutrina, que não sofreram nenhuma alteração, como ele mesmo registra neste precioso Aviso,(5) orientado pelos Espíritos da Codificação:

«[...] Preferimos esperar a reimpressão do livro para fundir tudo conjuntamente, aproveitando, para conferir à distribuição das matérias, uma ordem muito mais metódica e suprimindo, ao mesmo tempo, tudo quanto estava repetido. Esta reimpressão pode, pois, ser considerada obra nova, embora os princípios não hajam sofrido nenhuma alteração, salvo pequeníssimo número de exceções, que são antes complementos e esclarecimentos do que verdadeiras modificações. [...]».

E no parágrafo final do citado Aviso, o Codificador revela o próximo e histórico lançamento da nossa Obra homenageada – O Livro dos Médiuns –, explicando porque esta Obra constitui o SEGUIMENTO de O Livro dos Espíritos:

«[...] O ensino relativo às manifestações propriamente ditas, e aos médiuns, forma, de certo modo, uma parte distinta da filosofia, podendo ser objeto de um estudo especial. Havendo tal parte recebido desenvolvimentos bastantes consideráveis em consequência da experiencia adquirida, julgamos por bem fazer dele UM VOLUME DISTINTO, o qual contém as respostas dadas a todas as questões relativas às manifestações e aos médiuns, bem como numerosos comentários sobre o Espiritismo prático. Essa obra será a CONTINUAÇÃO ou o COMPLEMENTO de O Livro dos Espíritos». (Destaque nosso em caixa alta, e letra itálica no original.) (6)

Ao encerrar este Avis sur cette nouvelle édition, na 2ª edição de Le Livre des Esprits, o Codificador coloca a seguinte e valiosa Nota de rodapé da sua autoria: «No prelo», referindo-se à futura publicação de O Livro dos Médiuns (1861).

Preciosa e rara Nota de Kardec em Prolegômenos

Em outra preciosa Nota de Allan Kardec, agora em Prolegômenos,(7) o Codificador assim se expressa sobre a citada 2ª edição de O Livro dos Espíritos:

«[...] O material foi organizado de maneira a apresentar um conjunto regular e metódico, e não foi entregue à publicidade senão depois de ter sido revisto cuidadosamente, várias vezes seguidas, e corrigido pelos próprios Espíritos. Esta segunda edição também mereceu, da parte deles, novo e meticuloso exame. [...]». (Grifos nossos.)

Todos os 11 capítulos da Parte Segunda (“Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos”) da 2ª edição definitiva de O Livro dos Espíritos, serão desdobrados e ampliados magistralmente em O Livro dos Médiuns, com uma beleza extraordinária. Hoje sabemos, pelos estudos aprofundados desses assuntos, que Le Livre des Médiums teve a sua origem doutrinária nessa 2ª Parte de Le Livre des Esprits. O confrade Cruvinel, no seu site,(8) chama àquela edição que não chegou a ser publicada, onde consta a 5ª Parte (Livre Cinquième) de O Livro dos Espíritos, como “a edição perdida”.

Nós preferimos chamá-la “o elo encontrado”, porque constitui o seguimento, a sequência natural, o complemento, a continuação da lógica do pensamento Kardequiano, orientado pelos Espíritos Superiores da Codificação, a fim de desdobrar aqueles 8 referidos capítulos em nada menos que 36 novos capítulos (da 1ª e 2ª Partes de O Livro dos Médiuns), com 350 itens e mais de 500 páginas no original francês, Obra magna que hoje homenageamos, agradecendo a Deus, a Jesus e a Kardec pelas bênçãos contidas nestas páginas imortais, que 150 anos depois continuam iluminando o roteiro e a seara dos médiuns em sua relação com os encarnados e com o Mundo Invisível.

«»«»«»«»«»«»

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

(1) KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 1. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Frontispício.

(2) KARDEC, Allan. Le Livre des Médiums. 1ère édition. Brasília: EDICEI, 2008. Frontispício.

(3) PELAYO, Ramón García-, TESTAS, Jean. Dictionnaire Français-Espagnol-Español-Francés. Collection Saturne, 976 pp. 2ème édition. Paris: LAROUSSE, 1989. Página 705, verbete: suite.

(4) KARDEC, Allan. Qu’est-ce que le Spiritisme. 1ère édition. Paris: Ledoyen, 1859. Disponível em: http://books.google.com.br/books?id=rT9qsxgLGJIC&printsec=frontcover&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false, p. 100.

(5) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Evandro Bezerra. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Aviso sobre esta nova edição, pp. 21-22.

(6) –––––––. ––––––––. Com notas de rodapé de Kardec e do tradutor, p. 22.

(7) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. E. Bezerra. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Prolegômenos, pp. 72-73, com nota do tradutor, p. 72.

(8) Disponível em: http://decodificando-livro-espiritos.blogspot.com/2010/11/edicao-perdida-parte-1.html.

Volta ao topo da página
Inicial Editorial Obras Básicas Outras Obras Entrevista Quadrinhos Links Arquivo

Fale conosco: resenha@resenhaespirita.com